Entrevista com Diogo Canhão, investigador da Universidade de Évora e membro da AIHRE
Diogo Canhão de Sousa Canavarro es investigador principal del grupo SOL4R de la Universidad de Évora. En el marco del proyecto AIHRE, la Universidad contribuye con sus infraestructuras de investigación y redes de colaboración para impulsar la adopción del hidrógeno renovable, destacando en particular el trabajo desarrollado en la modelización de la producción de hidrógeno mediante la integración de la energía solar en el proceso de gasificación de la biomasa.
- A Universidade de Évora procura potenciar a contribuição da energia solar para a transição energética. Como é que o projeto AIHRE se integra nesta visão estratégica da SOL4R?
O projeto AIHRE enquadra-se de forma muito natural na visão estratégica SOL4R da Universidade de Évora, que tem como um dos seus pilares o reforço do papel da energia solar como vetor central da transição energética, particularmente no sul de Portugal.
Ao promover soluções baseadas na produção de hidrogénio renovável a partir de fontes solares, o AIHRE contribui para a valorização de tecnologias que permitem ultrapassar um dos principais desafios das renováveis: o armazenamento e a flexibilidade do sistema energético. Neste sentido, o projeto reforça a abordagem integrada da SOL4R, que combina investigação aplicada, demonstração tecnológica e capacitação de recursos humanos, em forte ligação com o ecossistema empresarial e industrial.
- A criação de uma comunidade entre diferentes atores é um objetivo fundamental do Ecossistema AIHRE. Que valor acrescenta a uma instituição académica a troca de experiências com empresas e outras organizações do setor?
A criação de uma comunidade ativa entre academia, empresas e outras organizações do setor é extremamente valiosa para uma instituição académica. Esta interação permite alinhar a investigação científica com necessidades reais do mercado, aumentando a relevância, aplicabilidade e impacto dos resultados produzidos.
Para além disso, a troca de experiências facilita a transferência de conhecimento, acelera a maturação tecnológica e contribui para a formação de estudantes e investigadores com uma visão mais prática e multidisciplinar. No contexto do AIHRE, esta dinâmica reforça o papel da Universidade como agente catalisador de inovação, promovendo soluções energéticas mais robustas e sustentáveis.
- Qual é a situação atual do hidrogénio renovável na vossa região (Évora)?
Na região de Évora, o hidrogénio renovável encontra-se ainda numa fase inicial de desenvolvimento, sobretudo ao nível da investigação, projetos-piloto e planeamento estratégico. No entanto, existem condições muito favoráveis para a sua afirmação futura, nomeadamente o elevado potencial solar, a existência de infraestruturas científicas relevantes e uma crescente articulação entre entidades académicas, autarquias e empresas.
Projetos como o AIHRE contribuem para criar massa crítica, testar conceitos e preparar o território para uma integração progressiva do hidrogénio renovável no sistema energético regional.
- A nível social, que impacto espera que tenha a implementação destas energias limpas desenvolvidas no âmbito do AIHRE?
Do ponto de vista social, a implementação de energias limpas desenvolvidas no âmbito do AIHRE pode ter um impacto muito positivo. Destacam-se a criação de emprego qualificado, a dinamização do tecido económico local e o reforço da literacia energética da população.
Além disso, estas soluções contribuem para a redução de emissões, melhoria da qualidade do ar e aumento da resiliência energética, fatores que se refletem diretamente no bem-estar das comunidades. O projeto também tem um papel importante na sensibilização para a transição energética justa e sustentável.
- Estamos na reta final do projeto, quais são as sensações neste momento em relação aos marcos alcançados no AIHRE?
Na reta final do projeto, o sentimento é globalmente muito positivo. O AIHRE permitiu consolidar parcerias, criar uma comunidade ativa e alcançar marcos relevantes ao nível do conhecimento, da cooperação e da demonstração de soluções inovadoras.
Existe também a satisfação de ver que o projeto lançou bases sólidas para iniciativas futuras, deixando um legado que vai além da sua duração formal, tanto em termos de redes de colaboração como de visão estratégica.
- Um desejo para o ano 2026 em relação ao hidrogénio renovável?
O desejo para 2026 é que o hidrogénio renovável passe de um conceito maioritariamente experimental para uma solução efetivamente integrada no sistema energético, com projetos de demonstração à escala real e modelos de negócio viáveis.
Especificamente para a região do Alentejo, seria desejável que o hidrogénio renovável se afirmasse como um complemento natural à energia solar, contribuindo para o desenvolvimento sustentável do território e posicionando Portugal como um ator relevante neste domínio a nível europeu.





